
FIV
Como ler a taxa de sucesso divulgada por uma clínica de FIV
Como ler a taxa de sucesso divulgada por uma clínica de FIV
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Prof. Dr. Fernando Prado Ferreira
Prof. Dr. Fernando Prado Ferreira
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CRM-SP 103.984 · RQE 391631
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Um número de taxa de sucesso só significa alguma coisa com três informações ao lado: qual o denominador (por ciclo iniciado, por coleta ou por transferência), qual a faixa etária das pacientes e qual o desfecho medido (gravidez bioquímica, gestação clínica ou nascido vivo). Sem os três, o mesmo serviço pode parecer excelente ou mediano, dependendo apenas do que escolheu mostrar.
O problema do denominador
Esta é a manobra mais comum, e ela não exige má-fé: basta escolher o recorte mais favorável.
Imagine cem pacientes que iniciam um ciclo. Dez cancelam por resposta ovariana insuficiente. Das noventa que chegam à coleta, dez não produzem nenhum embrião viável. Restam oitenta transferências, e vinte e quatro resultam em gravidez.
O mesmo serviço, nesse cenário, pode anunciar 24% (por ciclo iniciado), 27% (por coleta) ou 30% (por transferência). Três números verdadeiros, três impressões diferentes.
Para quem está decidindo se começa um tratamento, o denominador que importa é o de ciclo iniciado, porque é o que inclui tudo que pode dar errado no caminho. É também o menos anunciado.
O problema da idade
A idade da mulher no momento da coleta dos óvulos é, isolada, o maior determinante de resultado em FIV. Uma clínica que atende sobretudo pacientes jovens vai exibir número melhor do que uma que atende sobretudo casos difíceis, sem que isso diga nada sobre a qualidade de nenhuma das duas.
Pior: um serviço pode melhorar o próprio número recusando os casos de prognóstico ruim. Isso é seleção, não competência. E não aparece em lugar nenhum da estatística.
Por isso, número agregado sem estratificação por faixa etária não serve para decidir nada. Os registros públicos publicam por faixa justamente por essa razão.
O problema do desfecho
Três coisas diferentes costumam se chamar "sucesso".
Gravidez bioquímica é o beta-hCG positivo. É o número mais alto e o menos útil, porque inclui gestações que não evoluem.
Gestação clínica é a confirmação por ultrassom, com saco gestacional e batimento. É melhor.
Nascido vivo é o desfecho que interessa a quem procura tratamento, e o único que responde à pergunta real. É também o mais trabalhoso de acompanhar, porque exige seguir a paciente por meses depois que ela sai da clínica.
Quando o desfecho não estiver dito, presuma que é o mais favorável.
As três perguntas
Diante de qualquer número, em site, folheto ou consulta:
Esse número é por ciclo iniciado, por coleta ou por transferência?
De que faixa etária, e de qual período?
O desfecho é gravidez bioquímica, gestação clínica ou nascido vivo?
Se as três respostas vierem sem hesitação, o número provavelmente é sério. Se vierem confusas, ele não é um dado, é uma peça de marketing.
Onde encontrar dado confiável
Registro público, auditável, que ninguém escolheu para agradar você.
No Brasil, o SisEmbrio, da ANVISA, reúne os dados que todos os serviços de reprodução assistida são obrigados a reportar anualmente. Na Europa, o consórcio EIM da ESHRE publica relatórios anuais consolidados. Nos Estados Unidos, o registro do CDC em parceria com a SART publica resultados por clínica e por faixa etária.
Nenhum deles responde qual é a sua chance. Todos servem para o que interessa aqui: dar a você uma referência do que é resultado esperado, para reconhecer quando um número anunciado destoa demais.
Por que a Neo Vita não publica a própria taxa
Duas razões, e a primeira é normativa. A Resolução CFM 2.336/2023 restringe a divulgação de dados que funcionem como propaganda comparativa ou promessa de resultado, e a responsabilidade por isso recai sobre o diretor técnico do serviço.
A segunda é prática. Uma taxa própria não é auditável por quem lê. Você não tem como saber qual denominador foi usado, que pacientes entraram na conta, se houve seleção de casos. Publicar um número nessas condições pede uma confiança que a estatística sozinha não sustenta.
O que faz sentido é o contrário: explicar como o dado público se lê e responder, na consulta, qual é o prognóstico do seu caso, com base na sua idade, na sua reserva ovariana e na causa da sua infertilidade. Esse número é o único que decide alguma coisa para você.
O que comparar, já que não é a taxa
Quem conduz o ciclo e qual a formação da equipe. Onde fica o laboratório e quem manipula os gametas e embriões. Se o serviço tem licença sanitária em dia e reporta ao SisEmbrio. Quantos ciclos realiza por ano. Se a equipe explica o raciocínio clínico do seu caso ou repete um roteiro. E como reagem quando você pergunta o prognóstico ou pede uma segunda opinião.
Nada disso cabe num número, e tudo isso importa mais do que ele. As perguntas específicas estão em o que perguntar na primeira consulta, e o que muda quando o laboratório é da própria clínica está em laboratório próprio.
Quando procurar avaliação
Um ano de tentativas sem gravidez, ou seis meses se a mulher tem mais de 35 anos. Antes disso, diante de ciclos muito irregulares, endometriose conhecida, cirurgia pélvica prévia, quimioterapia, alteração no espermograma ou perdas gestacionais de repetição. A avaliação de fertilidade é o que transforma estatística geral em prognóstico seu.
Perguntas frequentes
Qual é a taxa de sucesso da FIV?
Não existe uma. O resultado varia principalmente com a idade da mulher no momento da coleta dos óvulos, e também com a causa da infertilidade, a reserva ovariana e o número de tentativas. Registros públicos como o SisEmbrio, no Brasil, e os relatórios da ESHRE e do CDC, no exterior, publicam dados agregados por faixa etária, que é a forma correta de olhar.
Por que uma clínica não deveria anunciar a própria taxa?
A Resolução CFM 2.336/2023 restringe a divulgação de dados que funcionem como propaganda comparativa ou promessa de resultado em serviço de saúde, e a responsabilidade recai sobre o diretor técnico. Há também uma razão prática: taxa própria não é auditável por quem lê e é facilmente inflada pela escolha do denominador e da população.
Taxa por transferência é melhor do que por ciclo iniciado?
É maior, não melhor. Taxa por transferência exclui os ciclos que não chegaram lá, por cancelamento ou por ausência de embrião viável. Para quem está decidindo se começa um tratamento, a taxa por ciclo iniciado é a mais honesta, porque inclui tudo o que pode dar errado no caminho.
O que é taxa cumulativa?
É a chance de gravidez considerando todas as transferências geradas por uma mesma coleta de óvulos, incluindo os embriões congelados. É um número útil e mais realista para planejar tratamento, desde que fique claro quantas transferências ele abrange.
Como comparar duas clínicas então?
Comparando o que dá para comparar: quem conduz o ciclo, onde fica o laboratório, quantos ciclos o serviço realiza por ano, se há registro sanitário em dia, se a equipe explica o raciocínio do seu caso e como respondem quando você pergunta o prognóstico. Nenhuma dessas coisas cabe num número.
Fontes
ANVISA — SisEmbrio, Relatório do Sistema Nacional de Produção de Embriões
ESHRE — European IVF Monitoring Consortium, relatórios anuais de ART in Europe
CDC/SART — ART Success Rates (Estados Unidos)
Conselho Federal de Medicina — Resolução 2.336/2023, art. 11
Um número de taxa de sucesso só significa alguma coisa com três informações ao lado: qual o denominador (por ciclo iniciado, por coleta ou por transferência), qual a faixa etária das pacientes e qual o desfecho medido (gravidez bioquímica, gestação clínica ou nascido vivo). Sem os três, o mesmo serviço pode parecer excelente ou mediano, dependendo apenas do que escolheu mostrar.
O problema do denominador
Esta é a manobra mais comum, e ela não exige má-fé: basta escolher o recorte mais favorável.
Imagine cem pacientes que iniciam um ciclo. Dez cancelam por resposta ovariana insuficiente. Das noventa que chegam à coleta, dez não produzem nenhum embrião viável. Restam oitenta transferências, e vinte e quatro resultam em gravidez.
O mesmo serviço, nesse cenário, pode anunciar 24% (por ciclo iniciado), 27% (por coleta) ou 30% (por transferência). Três números verdadeiros, três impressões diferentes.
Para quem está decidindo se começa um tratamento, o denominador que importa é o de ciclo iniciado, porque é o que inclui tudo que pode dar errado no caminho. É também o menos anunciado.
O problema da idade
A idade da mulher no momento da coleta dos óvulos é, isolada, o maior determinante de resultado em FIV. Uma clínica que atende sobretudo pacientes jovens vai exibir número melhor do que uma que atende sobretudo casos difíceis, sem que isso diga nada sobre a qualidade de nenhuma das duas.
Pior: um serviço pode melhorar o próprio número recusando os casos de prognóstico ruim. Isso é seleção, não competência. E não aparece em lugar nenhum da estatística.
Por isso, número agregado sem estratificação por faixa etária não serve para decidir nada. Os registros públicos publicam por faixa justamente por essa razão.
O problema do desfecho
Três coisas diferentes costumam se chamar "sucesso".
Gravidez bioquímica é o beta-hCG positivo. É o número mais alto e o menos útil, porque inclui gestações que não evoluem.
Gestação clínica é a confirmação por ultrassom, com saco gestacional e batimento. É melhor.
Nascido vivo é o desfecho que interessa a quem procura tratamento, e o único que responde à pergunta real. É também o mais trabalhoso de acompanhar, porque exige seguir a paciente por meses depois que ela sai da clínica.
Quando o desfecho não estiver dito, presuma que é o mais favorável.
As três perguntas
Diante de qualquer número, em site, folheto ou consulta:
Esse número é por ciclo iniciado, por coleta ou por transferência?
De que faixa etária, e de qual período?
O desfecho é gravidez bioquímica, gestação clínica ou nascido vivo?
Se as três respostas vierem sem hesitação, o número provavelmente é sério. Se vierem confusas, ele não é um dado, é uma peça de marketing.
Onde encontrar dado confiável
Registro público, auditável, que ninguém escolheu para agradar você.
No Brasil, o SisEmbrio, da ANVISA, reúne os dados que todos os serviços de reprodução assistida são obrigados a reportar anualmente. Na Europa, o consórcio EIM da ESHRE publica relatórios anuais consolidados. Nos Estados Unidos, o registro do CDC em parceria com a SART publica resultados por clínica e por faixa etária.
Nenhum deles responde qual é a sua chance. Todos servem para o que interessa aqui: dar a você uma referência do que é resultado esperado, para reconhecer quando um número anunciado destoa demais.
Por que a Neo Vita não publica a própria taxa
Duas razões, e a primeira é normativa. A Resolução CFM 2.336/2023 restringe a divulgação de dados que funcionem como propaganda comparativa ou promessa de resultado, e a responsabilidade por isso recai sobre o diretor técnico do serviço.
A segunda é prática. Uma taxa própria não é auditável por quem lê. Você não tem como saber qual denominador foi usado, que pacientes entraram na conta, se houve seleção de casos. Publicar um número nessas condições pede uma confiança que a estatística sozinha não sustenta.
O que faz sentido é o contrário: explicar como o dado público se lê e responder, na consulta, qual é o prognóstico do seu caso, com base na sua idade, na sua reserva ovariana e na causa da sua infertilidade. Esse número é o único que decide alguma coisa para você.
O que comparar, já que não é a taxa
Quem conduz o ciclo e qual a formação da equipe. Onde fica o laboratório e quem manipula os gametas e embriões. Se o serviço tem licença sanitária em dia e reporta ao SisEmbrio. Quantos ciclos realiza por ano. Se a equipe explica o raciocínio clínico do seu caso ou repete um roteiro. E como reagem quando você pergunta o prognóstico ou pede uma segunda opinião.
Nada disso cabe num número, e tudo isso importa mais do que ele. As perguntas específicas estão em o que perguntar na primeira consulta, e o que muda quando o laboratório é da própria clínica está em laboratório próprio.
Quando procurar avaliação
Um ano de tentativas sem gravidez, ou seis meses se a mulher tem mais de 35 anos. Antes disso, diante de ciclos muito irregulares, endometriose conhecida, cirurgia pélvica prévia, quimioterapia, alteração no espermograma ou perdas gestacionais de repetição. A avaliação de fertilidade é o que transforma estatística geral em prognóstico seu.
Perguntas frequentes
Qual é a taxa de sucesso da FIV?
Não existe uma. O resultado varia principalmente com a idade da mulher no momento da coleta dos óvulos, e também com a causa da infertilidade, a reserva ovariana e o número de tentativas. Registros públicos como o SisEmbrio, no Brasil, e os relatórios da ESHRE e do CDC, no exterior, publicam dados agregados por faixa etária, que é a forma correta de olhar.
Por que uma clínica não deveria anunciar a própria taxa?
A Resolução CFM 2.336/2023 restringe a divulgação de dados que funcionem como propaganda comparativa ou promessa de resultado em serviço de saúde, e a responsabilidade recai sobre o diretor técnico. Há também uma razão prática: taxa própria não é auditável por quem lê e é facilmente inflada pela escolha do denominador e da população.
Taxa por transferência é melhor do que por ciclo iniciado?
É maior, não melhor. Taxa por transferência exclui os ciclos que não chegaram lá, por cancelamento ou por ausência de embrião viável. Para quem está decidindo se começa um tratamento, a taxa por ciclo iniciado é a mais honesta, porque inclui tudo o que pode dar errado no caminho.
O que é taxa cumulativa?
É a chance de gravidez considerando todas as transferências geradas por uma mesma coleta de óvulos, incluindo os embriões congelados. É um número útil e mais realista para planejar tratamento, desde que fique claro quantas transferências ele abrange.
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Comparando o que dá para comparar: quem conduz o ciclo, onde fica o laboratório, quantos ciclos o serviço realiza por ano, se há registro sanitário em dia, se a equipe explica o raciocínio do seu caso e como respondem quando você pergunta o prognóstico. Nenhuma dessas coisas cabe num número.
Fontes
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Neo Vita © 2026 - Todos os Direitos Reservados.
NVS Clínica de Medicina Avançada LTDA. CNPJ 27.595.526/0001-18
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