
FIV
Endometriose: sintomas, tipos e como se chega ao diagnóstico
Endometriose: sintomas, tipos e como se chega ao diagnóstico
Endometriose: sintomas, tipos e como se chega ao diagnóstico
Dra. Thainá Naback Steinstrasser Henriques
Dra. Thainá Naback Steinstrasser Henriques
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CRM-SP 188.848 · RQE 116133
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Os sintomas mais característicos são cólica menstrual intensa e progressiva, dor durante a relação sexual, dor pélvica fora do período menstrual e dor cíclica para evacuar ou urinar. A doença se apresenta em três formas — superficial, ovariana e profunda — e o diagnóstico hoje é feito por história clínica somada a ultrassom com preparo e ressonância, sem necessidade de cirurgia diagnóstica.
Os sintomas que levantam suspeita
Cólica menstrual intensa. É o sintoma mais frequente, e o mais banalizado. O que diferencia a cólica da endometriose é o impacto e a progressão: dor que impede a rotina, que não cede com analgésico comum e que piora ao longo dos anos.
Dor durante a relação sexual, tipicamente profunda, e não na entrada. Costuma ser subnotificada por constrangimento, e é um dos sintomas mais sugestivos de doença profunda.
Dor pélvica fora do período menstrual, que pode se tornar contínua com o tempo.
Dor cíclica para evacuar ou urinar, que piora durante a menstruação e sugere comprometimento intestinal ou vesical.
Alterações intestinais cíclicas, com distensão e mudança do hábito nos dias de menstruação.
Dificuldade para engravidar, que em parte das mulheres é a primeira e única manifestação.
Fadiga persistente, que aparece com frequência e raramente é associada à doença.
Vale notar que não existe correlação estrita entre extensão da doença e intensidade da dor. Doença mínima pode doer muito; doença extensa pode ser silenciosa.
Por que o diagnóstico demora tanto
O intervalo entre o início dos sintomas e o diagnóstico é longo, com frequência de anos. As razões se somam.
A dor menstrual é culturalmente naturalizada, dentro e fora dos consultórios. Meninas aprendem que cólica faz parte, e adiam a queixa.
Os sintomas se sobrepõem aos de outras condições, sobretudo intestinais, e não é raro que a paciente circule por outras especialidades antes de chegar ao diagnóstico.
O anticoncepcional, prescrito para controlar a dor, mascara os sintomas sem afastar a doença — o alívio adia a investigação por anos.
E, historicamente, a exigência de cirurgia para confirmar o diagnóstico funcionava como barreira: ninguém indicava laparoscopia a uma adolescente com cólica, e sem laparoscopia não havia diagnóstico.
Esse último ponto mudou, e é a razão pela qual vale insistir na investigação hoje.
As três formas
Superficial peritoneal. Implantes no revestimento da cavidade pélvica. É a forma que menos aparece em exames de imagem e que pode passar despercebida mesmo em ressonância.
Ovariana. Os endometriomas, cistos com conteúdo característico ao ultrassom. É a forma mais facilmente identificada por imagem, e a que mais se relaciona com reserva ovariana. Tem texto próprio em endometrioma.
Profunda. Lesões que infiltram além do peritônio e podem envolver ligamentos, septo retovaginal, intestino, bexiga e ureteres. É a forma que mais se associa a dor durante a relação e a sintomas intestinais e urinários cíclicos, e a que exige mapeamento cuidadoso antes de qualquer cirurgia.
As três coexistem com frequência na mesma paciente.
Como se chega ao diagnóstico hoje
História clínica. É o instrumento mais sensível, quando bem colhida. Um roteiro de perguntas sobre intensidade, impacto, ciclicidade e sintomas associados vale mais do que qualquer exame isolado.
Exame físico, incluindo o exame ginecológico com atenção a pontos dolorosos e a nodularidades, sobretudo no fundo de saco posterior.
Ultrassom transvaginal com preparo intestinal. É o exame de escolha na investigação da doença profunda, e depende fortemente de quem o realiza: exige treinamento específico e protocolo próprio. Um ultrassom transvaginal comum não cumpre esse papel.
Ressonância magnética, complementar, útil no mapeamento pré-operatório e em situações de difícil avaliação.
A laparoscopia deixou de ser exigida como etapa diagnóstica. Ela permanece como tratamento, quando indicado, e não como via de acesso ao diagnóstico.
O que não faz o diagnóstico
Não existe exame de sangue que confirme endometriose. O CA-125 pode se elevar em algumas situações, inclusive fora da endometriose, e não serve nem para confirmar nem para excluir.
Testes comerciais que prometem diagnóstico por sangue, saliva ou microbioma ainda não têm validação que sustente uso clínico. Diante de uma oferta desse tipo, vale perguntar qual estudo a sustenta.
O que fazer com a suspeita
Se você se reconheceu nos sintomas, procure avaliação, mesmo que não esteja tentando engravidar e mesmo que já use anticoncepcional há anos com a dor controlada.
Duas razões. A doença pode progredir silenciosamente sob o controle sintomático, e conhecer a situação dos ovários muda o planejamento reprodutivo — inclusive a decisão de preservar a fertilidade antes de uma eventual cirurgia.
Se a dificuldade para engravidar já existe, a investigação não deve esperar um ano completo. O que a endometriose faz com a fertilidade, e as decisões que dela decorrem, estão em endometriose e fertilidade.
Perguntas frequentes
Cólica forte é normal?
Cólica que impede de ir ao trabalho ou à escola, que não melhora com analgésico comum ou que piora ao longo dos anos não é normal, é sintoma. A naturalização da dor menstrual é uma das principais razões do atraso no diagnóstico da endometriose.
Dá para ter endometriose sem sentir dor?
Sim. Parte das mulheres descobre a doença durante a investigação de dificuldade para engravidar, sem nunca ter tido dor importante. Não há correlação estrita entre a extensão da doença e a intensidade dos sintomas.
Preciso de cirurgia para saber se tenho?
Não. O diagnóstico hoje se apoia na história clínica e na imagem — ultrassom transvaginal com preparo intestinal, feito por profissional treinado, e ressonância magnética. A laparoscopia deixou de ser exigida como etapa diagnóstica, e ninguém precisa ser operada apenas para receber um nome.
Exame de imagem normal exclui endometriose?
Não. A endometriose superficial pode não aparecer em nenhuma imagem. Quando a história é sugestiva e o exame é negativo, a suspeita permanece e o tratamento pode ser conduzido mesmo assim.
Existe exame de sangue para endometriose?
Não existe marcador de sangue que faça o diagnóstico. O CA-125 pode estar elevado em algumas situações e não serve para confirmar nem para excluir a doença. Testes comerciais que prometem diagnóstico por sangue ou saliva ainda não têm validação suficiente.
Fontes
ESHRE — Guideline on the management of women with endometriosis
ASRM Practice Committee — Endometriosis and infertility: a committee opinion
Os sintomas mais característicos são cólica menstrual intensa e progressiva, dor durante a relação sexual, dor pélvica fora do período menstrual e dor cíclica para evacuar ou urinar. A doença se apresenta em três formas — superficial, ovariana e profunda — e o diagnóstico hoje é feito por história clínica somada a ultrassom com preparo e ressonância, sem necessidade de cirurgia diagnóstica.
Os sintomas que levantam suspeita
Cólica menstrual intensa. É o sintoma mais frequente, e o mais banalizado. O que diferencia a cólica da endometriose é o impacto e a progressão: dor que impede a rotina, que não cede com analgésico comum e que piora ao longo dos anos.
Dor durante a relação sexual, tipicamente profunda, e não na entrada. Costuma ser subnotificada por constrangimento, e é um dos sintomas mais sugestivos de doença profunda.
Dor pélvica fora do período menstrual, que pode se tornar contínua com o tempo.
Dor cíclica para evacuar ou urinar, que piora durante a menstruação e sugere comprometimento intestinal ou vesical.
Alterações intestinais cíclicas, com distensão e mudança do hábito nos dias de menstruação.
Dificuldade para engravidar, que em parte das mulheres é a primeira e única manifestação.
Fadiga persistente, que aparece com frequência e raramente é associada à doença.
Vale notar que não existe correlação estrita entre extensão da doença e intensidade da dor. Doença mínima pode doer muito; doença extensa pode ser silenciosa.
Por que o diagnóstico demora tanto
O intervalo entre o início dos sintomas e o diagnóstico é longo, com frequência de anos. As razões se somam.
A dor menstrual é culturalmente naturalizada, dentro e fora dos consultórios. Meninas aprendem que cólica faz parte, e adiam a queixa.
Os sintomas se sobrepõem aos de outras condições, sobretudo intestinais, e não é raro que a paciente circule por outras especialidades antes de chegar ao diagnóstico.
O anticoncepcional, prescrito para controlar a dor, mascara os sintomas sem afastar a doença — o alívio adia a investigação por anos.
E, historicamente, a exigência de cirurgia para confirmar o diagnóstico funcionava como barreira: ninguém indicava laparoscopia a uma adolescente com cólica, e sem laparoscopia não havia diagnóstico.
Esse último ponto mudou, e é a razão pela qual vale insistir na investigação hoje.
As três formas
Superficial peritoneal. Implantes no revestimento da cavidade pélvica. É a forma que menos aparece em exames de imagem e que pode passar despercebida mesmo em ressonância.
Ovariana. Os endometriomas, cistos com conteúdo característico ao ultrassom. É a forma mais facilmente identificada por imagem, e a que mais se relaciona com reserva ovariana. Tem texto próprio em endometrioma.
Profunda. Lesões que infiltram além do peritônio e podem envolver ligamentos, septo retovaginal, intestino, bexiga e ureteres. É a forma que mais se associa a dor durante a relação e a sintomas intestinais e urinários cíclicos, e a que exige mapeamento cuidadoso antes de qualquer cirurgia.
As três coexistem com frequência na mesma paciente.
Como se chega ao diagnóstico hoje
História clínica. É o instrumento mais sensível, quando bem colhida. Um roteiro de perguntas sobre intensidade, impacto, ciclicidade e sintomas associados vale mais do que qualquer exame isolado.
Exame físico, incluindo o exame ginecológico com atenção a pontos dolorosos e a nodularidades, sobretudo no fundo de saco posterior.
Ultrassom transvaginal com preparo intestinal. É o exame de escolha na investigação da doença profunda, e depende fortemente de quem o realiza: exige treinamento específico e protocolo próprio. Um ultrassom transvaginal comum não cumpre esse papel.
Ressonância magnética, complementar, útil no mapeamento pré-operatório e em situações de difícil avaliação.
A laparoscopia deixou de ser exigida como etapa diagnóstica. Ela permanece como tratamento, quando indicado, e não como via de acesso ao diagnóstico.
O que não faz o diagnóstico
Não existe exame de sangue que confirme endometriose. O CA-125 pode se elevar em algumas situações, inclusive fora da endometriose, e não serve nem para confirmar nem para excluir.
Testes comerciais que prometem diagnóstico por sangue, saliva ou microbioma ainda não têm validação que sustente uso clínico. Diante de uma oferta desse tipo, vale perguntar qual estudo a sustenta.
O que fazer com a suspeita
Se você se reconheceu nos sintomas, procure avaliação, mesmo que não esteja tentando engravidar e mesmo que já use anticoncepcional há anos com a dor controlada.
Duas razões. A doença pode progredir silenciosamente sob o controle sintomático, e conhecer a situação dos ovários muda o planejamento reprodutivo — inclusive a decisão de preservar a fertilidade antes de uma eventual cirurgia.
Se a dificuldade para engravidar já existe, a investigação não deve esperar um ano completo. O que a endometriose faz com a fertilidade, e as decisões que dela decorrem, estão em endometriose e fertilidade.
Perguntas frequentes
Cólica forte é normal?
Cólica que impede de ir ao trabalho ou à escola, que não melhora com analgésico comum ou que piora ao longo dos anos não é normal, é sintoma. A naturalização da dor menstrual é uma das principais razões do atraso no diagnóstico da endometriose.
Dá para ter endometriose sem sentir dor?
Sim. Parte das mulheres descobre a doença durante a investigação de dificuldade para engravidar, sem nunca ter tido dor importante. Não há correlação estrita entre a extensão da doença e a intensidade dos sintomas.
Preciso de cirurgia para saber se tenho?
Não. O diagnóstico hoje se apoia na história clínica e na imagem — ultrassom transvaginal com preparo intestinal, feito por profissional treinado, e ressonância magnética. A laparoscopia deixou de ser exigida como etapa diagnóstica, e ninguém precisa ser operada apenas para receber um nome.
Exame de imagem normal exclui endometriose?
Não. A endometriose superficial pode não aparecer em nenhuma imagem. Quando a história é sugestiva e o exame é negativo, a suspeita permanece e o tratamento pode ser conduzido mesmo assim.
Existe exame de sangue para endometriose?
Não existe marcador de sangue que faça o diagnóstico. O CA-125 pode estar elevado em algumas situações e não serve para confirmar nem para excluir a doença. Testes comerciais que prometem diagnóstico por sangue ou saliva ainda não têm validação suficiente.
Fontes
ESHRE — Guideline on the management of women with endometriosis
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NVS Clínica de Medicina Avançada LTDA. CNPJ 27.595.526/0001-18
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