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Endometrite crônica: a inflamação silenciosa do endométrio

Endometrite crônica: a inflamação silenciosa do endométrio

Endometrite crônica: a inflamação silenciosa do endométrio

Dra. Mariana de Carvalho Cruz

Dra. Mariana de Carvalho Cruz

Dra. Mariana de Carvalho Cruz

CRM-SP 227.163 · RQE 152.124

CRM-SP 227.163 · RQE 152.124

CRM-SP 227.163 · RQE 152.124

A endometrite crônica é uma inflamação persistente do endométrio, quase sempre sem sintomas. Ela se associa a falha de implantação e a perdas gestacionais, e o diagnóstico se faz por biópsia com pesquisa dirigida de plasmócitos, complementada pela histeroscopia. É um dos poucos achados desse grupo com tratamento simples e objetivo.

Por que ela importa

No campo da falha de implantação, a maior parte das hipóteses investigadas leva a exames caros, resultados ambíguos e tratamentos de evidência frágil.

A endometrite crônica é a exceção que vale procurar: quando identificada, tem tratamento simples, barato e de curta duração.

Isso muda a relação custo-benefício da investigação. Não porque ela seja a causa mais frequente — não é —, mas porque a conduta que decorre dela é objetiva.

Por que ela passa despercebida

Não dá sintoma na maior parte dos casos. Pode haver sangramento irregular, corrimento persistente ou desconforto pélvico leve, sintomas inespecíficos que dificilmente levam alguém a investigar o endométrio.

Não aparece no ultrassom. Não há achado ecográfico característico.

Não aparece numa biópsia de rotina. E este é o ponto mais prático do texto.

O diagnóstico depende da identificação de plasmócitos no estroma endometrial — células que sinalizam inflamação crônica. Elas são difíceis de distinguir na coloração convencional e exigem coloração específica.

Uma biópsia analisada sem essa pesquisa pode ser laudada como normal em uma paciente que tem a condição. Se o objetivo é investigar endometrite, o pedido precisa dizer isso, e o laboratório precisa fazer a coloração adequada.

Como o diagnóstico é feito

Biópsia de endométrio com pesquisa dirigida de plasmócitos. É o método de referência.

Histeroscopia, que mostra sinais sugestivos na superfície do endométrio: micropólipos, edema focal e alterações do padrão vascular. Ela complementa a biópsia e permite colhê-la de forma dirigida no mesmo tempo.

Culturas do material, em alguns protocolos, para orientar o antibiótico.

Nenhum desses métodos isolado é perfeito, e a combinação de histeroscopia com biópsia é a abordagem mais usada.

Quem deve investigar

Falha de implantação repetida, com embriões de boa qualidade.

Perdas gestacionais de repetição, contexto descrito em aborto de repetição.

Antecedente de infecção pélvica, doença inflamatória pélvica ou infecção sexualmente transmissível.

Antecedente de curetagem, parto complicado ou procedimento intrauterino.

Achados histeroscópicos sugestivos encontrados em exame feito por outro motivo.

O que não se sustenta é a pesquisa como triagem para toda paciente antes de um primeiro ciclo. Como qualquer exame, ela precisa responder a uma pergunta.

O tratamento

Antibiótico, em esquema e duração definidos pela equipe conforme o protocolo adotado e, quando disponível, o resultado de cultura.

Em boa parte dos protocolos, faz-se nova biópsia depois do tratamento para confirmar a resolução antes de programar a transferência. Quando a inflamação persiste, um segundo curso pode ser indicado.

O tratamento do parceiro é considerado em alguns contextos, e essa decisão é da equipe.

O que esperar do resultado

Aqui vale calibrar a expectativa.

Séries publicadas sugerem melhora dos desfechos reprodutivos após o tratamento da endometrite em mulheres com falha de implantação ou perdas de repetição. A evidência é majoritariamente observacional, com estudos heterogêneos, e ensaios randomizados robustos ainda faltam.

Ou seja: é uma hipótese plausível, com tratamento de baixo risco e baixo custo, e um nível de evidência que não permite prometer resultado. É exatamente por essa combinação — baixo risco, baixo custo, plausibilidade — que a investigação vale a pena no contexto certo.

Vale a comparação com as intervenções listadas em falha de implantação: várias delas têm evidência igualmente frágil, com custo muito maior e risco não desprezível. A endometrite se distingue por ser barata de investigar e simples de tratar.

De onde ela vem

As hipóteses sobre a origem envolvem a persistência de microrganismos na cavidade uterina, que normalmente teria uma população microbiana escassa.

Os antecedentes mais associados são infecção pélvica prévia, infecções sexualmente transmissíveis, procedimentos intrauterinos como curetagem e inserção de dispositivo, retenção de restos após parto ou aborto, e alterações que favorecem a persistência de material na cavidade, como pólipos e miomas submucosos.

Em boa parte dos casos, porém, não há antecedente identificável. A ausência de história de infecção não afasta o diagnóstico, e esse é um ponto que costuma gerar dúvida na consulta.

O que perguntar

A minha biópsia incluiu pesquisa de plasmócitos? Se a resposta for incerta, o resultado normal não afasta o diagnóstico.

A histeroscopia descreveu sinais sugestivos? Micropólipos e edema focal são achados que merecem menção no laudo.

Haverá reavaliação depois do tratamento?

Quando posso programar a transferência?

Se você já passou por transferências sem sucesso e nunca investigou isso, é uma das perguntas mais objetivas que se pode levar à próxima consulta.

Perguntas frequentes

Quais são os sintomas?

Na maior parte das vezes, nenhum. Pode haver sangramento irregular, corrimento ou desconforto pélvico leve, sintomas inespecíficos que raramente levam ao diagnóstico. É por isso que ela costuma ser identificada apenas na investigação de falha de implantação ou de perdas gestacionais.

Como se faz o diagnóstico?

Por biópsia de endométrio com pesquisa dirigida de plasmócitos, células que sinalizam inflamação crônica e que exigem coloração específica para serem identificadas. A histeroscopia complementa, mostrando sinais sugestivos na superfície do endométrio, e culturas podem ser feitas em conjunto.

Um exame de rotina detecta?

Não. Uma biópsia analisada sem a pesquisa específica de plasmócitos pode vir descrita como normal. Se você quer investigar endometrite, o pedido precisa dizer isso explicitamente, e o laboratório precisa fazer a coloração adequada.

Qual o tratamento?

Antibiótico, em esquema definido pela equipe, frequentemente com reavaliação por nova biópsia depois. É um tratamento simples, barato e de curta duração, o que contrasta com a maioria das intervenções discutidas em falha de implantação.

Toda mulher com falha de implantação deve investigar?

A pesquisa faz sentido diante de falha de implantação repetida, perdas gestacionais de repetição ou antecedente de infecção pélvica, curetagem ou procedimento intrauterino. Como triagem para todas as pacientes antes de um primeiro ciclo, não se sustenta.

Fontes

  • ESHRE — Guideline on recurrent implantation failure

  • ESHRE — Guideline on recurrent pregnancy loss

A endometrite crônica é uma inflamação persistente do endométrio, quase sempre sem sintomas. Ela se associa a falha de implantação e a perdas gestacionais, e o diagnóstico se faz por biópsia com pesquisa dirigida de plasmócitos, complementada pela histeroscopia. É um dos poucos achados desse grupo com tratamento simples e objetivo.

Por que ela importa

No campo da falha de implantação, a maior parte das hipóteses investigadas leva a exames caros, resultados ambíguos e tratamentos de evidência frágil.

A endometrite crônica é a exceção que vale procurar: quando identificada, tem tratamento simples, barato e de curta duração.

Isso muda a relação custo-benefício da investigação. Não porque ela seja a causa mais frequente — não é —, mas porque a conduta que decorre dela é objetiva.

Por que ela passa despercebida

Não dá sintoma na maior parte dos casos. Pode haver sangramento irregular, corrimento persistente ou desconforto pélvico leve, sintomas inespecíficos que dificilmente levam alguém a investigar o endométrio.

Não aparece no ultrassom. Não há achado ecográfico característico.

Não aparece numa biópsia de rotina. E este é o ponto mais prático do texto.

O diagnóstico depende da identificação de plasmócitos no estroma endometrial — células que sinalizam inflamação crônica. Elas são difíceis de distinguir na coloração convencional e exigem coloração específica.

Uma biópsia analisada sem essa pesquisa pode ser laudada como normal em uma paciente que tem a condição. Se o objetivo é investigar endometrite, o pedido precisa dizer isso, e o laboratório precisa fazer a coloração adequada.

Como o diagnóstico é feito

Biópsia de endométrio com pesquisa dirigida de plasmócitos. É o método de referência.

Histeroscopia, que mostra sinais sugestivos na superfície do endométrio: micropólipos, edema focal e alterações do padrão vascular. Ela complementa a biópsia e permite colhê-la de forma dirigida no mesmo tempo.

Culturas do material, em alguns protocolos, para orientar o antibiótico.

Nenhum desses métodos isolado é perfeito, e a combinação de histeroscopia com biópsia é a abordagem mais usada.

Quem deve investigar

Falha de implantação repetida, com embriões de boa qualidade.

Perdas gestacionais de repetição, contexto descrito em aborto de repetição.

Antecedente de infecção pélvica, doença inflamatória pélvica ou infecção sexualmente transmissível.

Antecedente de curetagem, parto complicado ou procedimento intrauterino.

Achados histeroscópicos sugestivos encontrados em exame feito por outro motivo.

O que não se sustenta é a pesquisa como triagem para toda paciente antes de um primeiro ciclo. Como qualquer exame, ela precisa responder a uma pergunta.

O tratamento

Antibiótico, em esquema e duração definidos pela equipe conforme o protocolo adotado e, quando disponível, o resultado de cultura.

Em boa parte dos protocolos, faz-se nova biópsia depois do tratamento para confirmar a resolução antes de programar a transferência. Quando a inflamação persiste, um segundo curso pode ser indicado.

O tratamento do parceiro é considerado em alguns contextos, e essa decisão é da equipe.

O que esperar do resultado

Aqui vale calibrar a expectativa.

Séries publicadas sugerem melhora dos desfechos reprodutivos após o tratamento da endometrite em mulheres com falha de implantação ou perdas de repetição. A evidência é majoritariamente observacional, com estudos heterogêneos, e ensaios randomizados robustos ainda faltam.

Ou seja: é uma hipótese plausível, com tratamento de baixo risco e baixo custo, e um nível de evidência que não permite prometer resultado. É exatamente por essa combinação — baixo risco, baixo custo, plausibilidade — que a investigação vale a pena no contexto certo.

Vale a comparação com as intervenções listadas em falha de implantação: várias delas têm evidência igualmente frágil, com custo muito maior e risco não desprezível. A endometrite se distingue por ser barata de investigar e simples de tratar.

De onde ela vem

As hipóteses sobre a origem envolvem a persistência de microrganismos na cavidade uterina, que normalmente teria uma população microbiana escassa.

Os antecedentes mais associados são infecção pélvica prévia, infecções sexualmente transmissíveis, procedimentos intrauterinos como curetagem e inserção de dispositivo, retenção de restos após parto ou aborto, e alterações que favorecem a persistência de material na cavidade, como pólipos e miomas submucosos.

Em boa parte dos casos, porém, não há antecedente identificável. A ausência de história de infecção não afasta o diagnóstico, e esse é um ponto que costuma gerar dúvida na consulta.

O que perguntar

A minha biópsia incluiu pesquisa de plasmócitos? Se a resposta for incerta, o resultado normal não afasta o diagnóstico.

A histeroscopia descreveu sinais sugestivos? Micropólipos e edema focal são achados que merecem menção no laudo.

Haverá reavaliação depois do tratamento?

Quando posso programar a transferência?

Se você já passou por transferências sem sucesso e nunca investigou isso, é uma das perguntas mais objetivas que se pode levar à próxima consulta.

Perguntas frequentes

Quais são os sintomas?

Na maior parte das vezes, nenhum. Pode haver sangramento irregular, corrimento ou desconforto pélvico leve, sintomas inespecíficos que raramente levam ao diagnóstico. É por isso que ela costuma ser identificada apenas na investigação de falha de implantação ou de perdas gestacionais.

Como se faz o diagnóstico?

Por biópsia de endométrio com pesquisa dirigida de plasmócitos, células que sinalizam inflamação crônica e que exigem coloração específica para serem identificadas. A histeroscopia complementa, mostrando sinais sugestivos na superfície do endométrio, e culturas podem ser feitas em conjunto.

Um exame de rotina detecta?

Não. Uma biópsia analisada sem a pesquisa específica de plasmócitos pode vir descrita como normal. Se você quer investigar endometrite, o pedido precisa dizer isso explicitamente, e o laboratório precisa fazer a coloração adequada.

Qual o tratamento?

Antibiótico, em esquema definido pela equipe, frequentemente com reavaliação por nova biópsia depois. É um tratamento simples, barato e de curta duração, o que contrasta com a maioria das intervenções discutidas em falha de implantação.

Toda mulher com falha de implantação deve investigar?

A pesquisa faz sentido diante de falha de implantação repetida, perdas gestacionais de repetição ou antecedente de infecção pélvica, curetagem ou procedimento intrauterino. Como triagem para todas as pacientes antes de um primeiro ciclo, não se sustenta.

Fontes

  • ESHRE — Guideline on recurrent implantation failure

  • ESHRE — Guideline on recurrent pregnancy loss

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Neo Vita © 2026 - Todos os Direitos Reservados.

NVS Clínica de Medicina Avançada LTDA. CNPJ 27.595.526/0001-18

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