
FIV
Exames antes da FIV: o que cada um investiga
Exames antes da FIV: o que cada um investiga
Exames antes da FIV: o que cada um investiga
Dr. Marcelo Montenegro
Dr. Marcelo Montenegro
Dr. Marcelo Montenegro
CRM-SP 179.113 · RQE 99775-1
CRM-SP 179.113 · RQE 99775-1
CRM-SP 179.113 · RQE 99775-1

Os exames antes da FIV se dividem em quatro grupos: avaliação da reserva ovariana, avaliação do útero, avaliação do fator masculino e as sorologias exigidas pela norma sanitária para manipulação de gametas. A eles se somam exames gerais e pré-anestésicos. As sorologias têm prazo de validade definido e precisam estar vigentes no dia do procedimento.
1. Reserva ovariana
Responde a uma pergunta prática: quantos folículos os ovários provavelmente vão recrutar sob estímulo. É o que orienta a dose e cria expectativa realista sobre o número de óvulos.
Contagem de folículos antrais. Ultrassom transvaginal no início do ciclo, contando os folículos pequenos visíveis nos dois ovários.
Hormônio anti-mülleriano. Produzido pelos folículos em crescimento, com a vantagem de poder ser colhido em qualquer fase do ciclo.
Os dois medem quantidade, não qualidade. Uma reserva baixa indica que haverá menos óvulos; não diz que os óvulos são ruins, e não define chance de gravidez por si só. A leitura correta desses números está em reserva ovariana e anti-mülleriano.
FSH e estradiol no início do ciclo aparecem em alguns protocolos, com valor menor do que os dois anteriores.
2. Avaliação do útero
Responde se a cavidade está apta a receber o embrião.
Ultrassom transvaginal, que avalia a cavidade, a espessura endometrial, a presença de miomas e sua relação com a cavidade, e os ovários.
Histeroscopia diagnóstica, indicada diante de achado suspeito ao ultrassom, falha de implantação anterior, cirurgia uterina prévia ou sangramento anormal. Não é rotina para todas: fazer em toda paciente antes do primeiro ciclo não mostrou benefício. Os detalhes estão em histeroscopia diagnóstica.
Histerossalpingografia, que avalia as tubas. Na FIV as tubas deixam de ser via de passagem, então o exame não é obrigatório antes de todo ciclo. Ele importa quando há suspeita de hidrossalpinge, porque o líquido acumulado prejudica a implantação e costuma exigir tratamento antes da transferência.
3. Fator masculino
Espermograma, com concentração, motilidade, morfologia e volume, conforme os parâmetros de referência vigentes. A leitura do resultado está em espermograma.
Diante de alteração importante, acrescenta-se avaliação hormonal, exame urológico e, em oligozoospermia grave ou azoospermia, investigação genética — cariótipo, pesquisa de microdeleções do cromossomo Y e análise do gene CFTR conforme o quadro.
O teste de fragmentação de DNA espermático não é exame de rotina; entra em contextos definidos.
4. Sorologias e exames exigidos por norma
Este grupo não é opcional e não depende do julgamento clínico: a norma sanitária que rege os bancos de células e tecidos germinativos exige sorologias vigentes para que o laboratório possa manipular e armazenar gametas e embriões.
São exigidas de ambos, com prazo de validade definido, o que explica por que exames recentes às vezes precisam ser repetidos antes de um novo ciclo ou de uma transferência congelada. Inclui HIV, hepatites B e C e sífilis, entre outros conforme a regulamentação vigente e o contexto.
Se você já fez e não sabe se ainda valem, pergunte à equipe antes de refazer — e, se estiverem vencendo, refaça antes de programar, não na véspera.
5. Exames gerais e pré-anestésicos
Função tireoidiana e prolactina, porque alterações nesses eixos afetam ovulação e gestação e são corrigíveis antes. Hemograma, glicemia, tipagem sanguínea. Imunidade para rubéola e outras, com atenção às vacinas que precisam anteceder a gravidez. Colpocitologia dentro da validade.
E os exames pedidos pela equipe de anestesia para a punção folicular, que variam com idade e histórico.
O que não é rotina
Alguns exames circulam como obrigatórios sem que sejam.
Painéis imunológicos extensos e pesquisas de trombofilia sem indicação clínica não são exigidos antes de um primeiro ciclo. Eles têm lugar em contextos definidos — perda gestacional de repetição, falha de implantação repetida, história pessoal ou familiar sugestiva — e não como triagem geral.
O critério é o mesmo que vale para qualquer exame: se o resultado não muda nenhuma conduta, ele não precisa ser feito. Vale perguntar isso diante de cada solicitação.
Organizando a fase
Vários exames dependem do dia do ciclo, então a ordem importa e ela é definida na consulta. Sair pedindo por conta própria costuma gerar repetição e custo.
Leve para a primeira consulta tudo o que já tiver, mesmo antigo. Exames de até dois anos frequentemente aproveitam, e relatórios de cirurgias e de ciclos anteriores mudam decisões. A lista completa do que levar está em o que perguntar na primeira consulta.
Boa parte desses exames tem cobertura pelo plano de saúde, porque são procedimentos diagnósticos. O que fica de fora é o tratamento em si, e a regra está em plano de saúde e reprodução assistida.
Perguntas frequentes
Por que preciso repetir sorologias que já fiz?
Porque a norma sanitária que rege os bancos de células e tecidos germinativos exige sorologias vigentes para a manipulação e o armazenamento de gametas e embriões, com prazo de validade definido. Não é excesso de zelo do serviço: é requisito para o laboratório poder trabalhar com o seu material.
Meu parceiro também precisa fazer exames?
Sim. Espermograma e as mesmas sorologias exigidas pela norma. Em situações específicas, como oligozoospermia grave ou azoospermia, acrescenta-se investigação hormonal e genética.
Preciso fazer histeroscopia antes de todo ciclo?
Não como rotina para todas. A avaliação inicial da cavidade costuma ser por ultrassom, e a histeroscopia entra quando há achado suspeito, falha de implantação anterior, cirurgia uterina prévia ou sangramento anormal. Fazer em todo mundo não mostrou benefício.
Os exames têm um dia certo do ciclo?
Alguns têm. A contagem de folículos antrais e algumas dosagens hormonais são feitas no início do ciclo, e a histerossalpingografia tem janela própria. O anti-mülleriano pode ser colhido em qualquer fase. Por isso não vale sair pedindo exames por conta própria antes da consulta.
Quanto tempo leva essa fase?
De algumas semanas a alguns meses, dependendo do que os exames encontrarem e do calendário do ciclo menstrual. Se algo precisar ser corrigido antes, como um pólipo ou um distúrbio de tireoide, o prazo se estende.
Fontes
ANVISA — RDC 771/2022, sobre bancos de células e tecidos germinativos
Conselho Federal de Medicina — Resolução 2.320/2022
ESHRE — Guideline on ovarian stimulation for IVF/ICSI
Os exames antes da FIV se dividem em quatro grupos: avaliação da reserva ovariana, avaliação do útero, avaliação do fator masculino e as sorologias exigidas pela norma sanitária para manipulação de gametas. A eles se somam exames gerais e pré-anestésicos. As sorologias têm prazo de validade definido e precisam estar vigentes no dia do procedimento.
1. Reserva ovariana
Responde a uma pergunta prática: quantos folículos os ovários provavelmente vão recrutar sob estímulo. É o que orienta a dose e cria expectativa realista sobre o número de óvulos.
Contagem de folículos antrais. Ultrassom transvaginal no início do ciclo, contando os folículos pequenos visíveis nos dois ovários.
Hormônio anti-mülleriano. Produzido pelos folículos em crescimento, com a vantagem de poder ser colhido em qualquer fase do ciclo.
Os dois medem quantidade, não qualidade. Uma reserva baixa indica que haverá menos óvulos; não diz que os óvulos são ruins, e não define chance de gravidez por si só. A leitura correta desses números está em reserva ovariana e anti-mülleriano.
FSH e estradiol no início do ciclo aparecem em alguns protocolos, com valor menor do que os dois anteriores.
2. Avaliação do útero
Responde se a cavidade está apta a receber o embrião.
Ultrassom transvaginal, que avalia a cavidade, a espessura endometrial, a presença de miomas e sua relação com a cavidade, e os ovários.
Histeroscopia diagnóstica, indicada diante de achado suspeito ao ultrassom, falha de implantação anterior, cirurgia uterina prévia ou sangramento anormal. Não é rotina para todas: fazer em toda paciente antes do primeiro ciclo não mostrou benefício. Os detalhes estão em histeroscopia diagnóstica.
Histerossalpingografia, que avalia as tubas. Na FIV as tubas deixam de ser via de passagem, então o exame não é obrigatório antes de todo ciclo. Ele importa quando há suspeita de hidrossalpinge, porque o líquido acumulado prejudica a implantação e costuma exigir tratamento antes da transferência.
3. Fator masculino
Espermograma, com concentração, motilidade, morfologia e volume, conforme os parâmetros de referência vigentes. A leitura do resultado está em espermograma.
Diante de alteração importante, acrescenta-se avaliação hormonal, exame urológico e, em oligozoospermia grave ou azoospermia, investigação genética — cariótipo, pesquisa de microdeleções do cromossomo Y e análise do gene CFTR conforme o quadro.
O teste de fragmentação de DNA espermático não é exame de rotina; entra em contextos definidos.
4. Sorologias e exames exigidos por norma
Este grupo não é opcional e não depende do julgamento clínico: a norma sanitária que rege os bancos de células e tecidos germinativos exige sorologias vigentes para que o laboratório possa manipular e armazenar gametas e embriões.
São exigidas de ambos, com prazo de validade definido, o que explica por que exames recentes às vezes precisam ser repetidos antes de um novo ciclo ou de uma transferência congelada. Inclui HIV, hepatites B e C e sífilis, entre outros conforme a regulamentação vigente e o contexto.
Se você já fez e não sabe se ainda valem, pergunte à equipe antes de refazer — e, se estiverem vencendo, refaça antes de programar, não na véspera.
5. Exames gerais e pré-anestésicos
Função tireoidiana e prolactina, porque alterações nesses eixos afetam ovulação e gestação e são corrigíveis antes. Hemograma, glicemia, tipagem sanguínea. Imunidade para rubéola e outras, com atenção às vacinas que precisam anteceder a gravidez. Colpocitologia dentro da validade.
E os exames pedidos pela equipe de anestesia para a punção folicular, que variam com idade e histórico.
O que não é rotina
Alguns exames circulam como obrigatórios sem que sejam.
Painéis imunológicos extensos e pesquisas de trombofilia sem indicação clínica não são exigidos antes de um primeiro ciclo. Eles têm lugar em contextos definidos — perda gestacional de repetição, falha de implantação repetida, história pessoal ou familiar sugestiva — e não como triagem geral.
O critério é o mesmo que vale para qualquer exame: se o resultado não muda nenhuma conduta, ele não precisa ser feito. Vale perguntar isso diante de cada solicitação.
Organizando a fase
Vários exames dependem do dia do ciclo, então a ordem importa e ela é definida na consulta. Sair pedindo por conta própria costuma gerar repetição e custo.
Leve para a primeira consulta tudo o que já tiver, mesmo antigo. Exames de até dois anos frequentemente aproveitam, e relatórios de cirurgias e de ciclos anteriores mudam decisões. A lista completa do que levar está em o que perguntar na primeira consulta.
Boa parte desses exames tem cobertura pelo plano de saúde, porque são procedimentos diagnósticos. O que fica de fora é o tratamento em si, e a regra está em plano de saúde e reprodução assistida.
Perguntas frequentes
Por que preciso repetir sorologias que já fiz?
Porque a norma sanitária que rege os bancos de células e tecidos germinativos exige sorologias vigentes para a manipulação e o armazenamento de gametas e embriões, com prazo de validade definido. Não é excesso de zelo do serviço: é requisito para o laboratório poder trabalhar com o seu material.
Meu parceiro também precisa fazer exames?
Sim. Espermograma e as mesmas sorologias exigidas pela norma. Em situações específicas, como oligozoospermia grave ou azoospermia, acrescenta-se investigação hormonal e genética.
Preciso fazer histeroscopia antes de todo ciclo?
Não como rotina para todas. A avaliação inicial da cavidade costuma ser por ultrassom, e a histeroscopia entra quando há achado suspeito, falha de implantação anterior, cirurgia uterina prévia ou sangramento anormal. Fazer em todo mundo não mostrou benefício.
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Alguns têm. A contagem de folículos antrais e algumas dosagens hormonais são feitas no início do ciclo, e a histerossalpingografia tem janela própria. O anti-mülleriano pode ser colhido em qualquer fase. Por isso não vale sair pedindo exames por conta própria antes da consulta.
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De algumas semanas a alguns meses, dependendo do que os exames encontrarem e do calendário do ciclo menstrual. Se algo precisar ser corrigido antes, como um pólipo ou um distúrbio de tireoide, o prazo se estende.
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Neo Vita © 2026 - Todos os Direitos Reservados.
NVS Clínica de Medicina Avançada LTDA. CNPJ 27.595.526/0001-18
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