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Histerossalpingografia: o exame que avalia as tubas

Histerossalpingografia: o exame que avalia as tubas

Histerossalpingografia: o exame que avalia as tubas

Dra. Thainá Naback Steinstrasser Henriques

Dra. Thainá Naback Steinstrasser Henriques

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CRM-SP 188.848 · RQE 116133

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A histerossalpingografia injeta contraste pelo colo do útero e acompanha seu trajeto por radiografia, avaliando o contorno da cavidade uterina e a permeabilidade das tubas. É feita depois da menstruação e antes da ovulação, dura poucos minutos e causa cólica de intensidade variável. Há evidência de que o próprio exame, com certos contrastes, aumenta a chance de gravidez nos meses seguintes.

O que o exame responde

Duas perguntas da investigação básica, descritas em não consigo engravidar.

As tubas estão pérvias? O contraste percorre o útero, entra nas tubas e, quando elas estão livres, extravasa para a cavidade abdominal. Esse extravasamento é o achado que confirma a permeabilidade.

A cavidade uterina tem contorno normal? Falhas de enchimento sugerem pólipos, miomas submucosos ou aderências, e alterações do formato sugerem malformações uterinas.

Como é feito

Você se posiciona como em um exame ginecológico. O médico coloca um espéculo, limpa o colo do útero e introduz um cateter fino pelo canal cervical.

O contraste é injetado lentamente enquanto radiografias são feitas, acompanhando o trajeto do líquido pela cavidade e pelas tubas. O procedimento leva poucos minutos.

Não é necessário jejum nem sedação na maioria dos casos. Costuma-se orientar analgésico ou anti-inflamatório antes, e em algumas situações antibiótico profilático.

A janela do ciclo

O exame é feito depois do fim da menstruação e antes da ovulação, tipicamente entre o sexto e o décimo dia.

Duas razões. Realizar o exame antes da ovulação evita expor uma gravidez em curso à radiação e ao procedimento. E, nessa fase, o endométrio está fino, o que melhora a avaliação do contorno da cavidade.

Sair pedindo o exame por conta própria costuma resultar em agendamento fora dessa janela e em exame perdido.

Sobre a dor

Vale ser honesto: causa cólica, e a intensidade varia bastante entre pacientes.

O desconforto se concentra no momento em que o contraste passa e costuma ceder em minutos. Analgesia prévia conforme orientação ajuda muito, e vale combinar isso com a equipe em vez de encarar sem preparo.

Cólica leve e pequeno sangramento nas horas seguintes são esperados. Febre, dor intensa que não cede ou sangramento importante não são, e pedem contato com a equipe.

Programe-se para não sair direto para um compromisso exigente.

O que os achados significam

Tubas pérvias bilateralmente. A via está livre. Não garante que as tubas funcionem — a captação do óvulo e o transporte dependem de estruturas que o exame não avalia —, mas afasta a obstrução.

Obstrução unilateral. Pode ser real ou pode ser espasmo, uma contração da musculatura tubária que impede a passagem do contraste. Achados unilaterais e próximos ao útero merecem confirmação por outro método antes de qualquer conclusão.

Obstrução bilateral. Muda a estratégia de forma direta, e a conversa está em obstrução das trompas.

Dilatação da tuba com retenção de contraste. Sugere hidrossalpinge, achado que tem impacto próprio sobre a implantação e conduta específica antes de um tratamento, descrita em hidrossalpinge.

Falhas de enchimento na cavidade. Sugerem pólipo, mioma submucoso ou aderência, e costumam levar a histeroscopia para confirmação e tratamento.

O efeito que surpreende

Uma observação antiga da prática ganhou confirmação: mulheres tendem a engravidar mais nos meses seguintes ao exame.

Um ensaio randomizado publicado em 2017 comparou contraste oleoso e contraste à base de água em mulheres inférteis e encontrou taxas de gravidez maiores no grupo do contraste oleoso.

O mecanismo não está completamente esclarecido, e as hipóteses envolvem desde a desobstrução mecânica de material dentro da tuba até efeitos sobre o ambiente peritoneal.

Duas ressalvas honestas: o efeito é descrito sobretudo em casais com infertilidade sem causa aparente, e a escolha do contraste depende de disponibilidade e de contraindicações. Ainda assim, é um argumento a mais para não postergar o exame quando ele está indicado.

A alternativa sem radiação

A histerossonossalpingografia avalia a permeabilidade tubária por ultrassom, com um meio de contraste próprio, sem radiação ionizante.

É bem tolerada, dispensa o serviço de radiologia e permite avaliar simultaneamente ovários e miométrio. Depende de equipamento e de treinamento específico.

A escolha entre os métodos considera disponibilidade, experiência do serviço e o que se pretende avaliar. Nenhum dos dois substitui a histeroscopia quando o objetivo é olhar dentro da cavidade e tratar um achado.

Depois do exame

O resultado costuma sair no mesmo dia ou em poucos dias, e a conduta seguinte depende do conjunto da investigação, não só dele.

Se o exame estiver normal e você estiver em investigação por infertilidade sem causa aparente, vale saber deste texto: os meses seguintes ao exame são um período de chance aumentada, e isso pode entrar no planejamento com a equipe.

Perguntas frequentes

O exame dói?

Causa cólica, de intensidade variável, geralmente concentrada no momento em que o contraste passa. A maior parte das pacientes descreve como uma cólica menstrual forte e breve. Analgésico ou anti-inflamatório antes do exame, conforme orientação, reduz bastante o desconforto.

Em que dia do ciclo é feito?

Depois do fim da menstruação e antes da ovulação, tipicamente entre o sexto e o décimo dia do ciclo. A janela existe para evitar realizar o exame com uma gravidez em curso e para que o endométrio esteja fino, o que melhora a avaliação da cavidade.

Tuba obstruída no exame significa tuba obstruída de verdade?

Nem sempre. Uma contração da musculatura da tuba pode impedir a passagem do contraste e simular obstrução, sobretudo quando o achado é unilateral e próximo ao útero. Nesses casos, costuma-se confirmar por outro método antes de qualquer decisão.

É verdade que o exame ajuda a engravidar?

Há evidência nesse sentido. Ensaios que compararam contrastes mostraram aumento da chance de gravidez nos meses seguintes ao exame, com resultado mais favorável para os contrastes oleosos. O mecanismo não está completamente esclarecido, e o efeito é descrito principalmente em casais com infertilidade sem causa aparente.

Existe alternativa sem radiação?

Sim. A histerossonossalpingografia usa ultrassom com meio de contraste para avaliar a permeabilidade tubária, sem radiação. A escolha entre os métodos depende da disponibilidade, da experiência do serviço e do que se pretende avaliar.

Fontes

  • Dreyer K, van Rijswijk J, Mijatovic V, et al. Oil-based or water-based contrast for hysterosalpingography in infertile women. New England Journal of Medicine (2017)

  • ASRM Practice Committee — Diagnostic evaluation of the infertile female

A histerossalpingografia injeta contraste pelo colo do útero e acompanha seu trajeto por radiografia, avaliando o contorno da cavidade uterina e a permeabilidade das tubas. É feita depois da menstruação e antes da ovulação, dura poucos minutos e causa cólica de intensidade variável. Há evidência de que o próprio exame, com certos contrastes, aumenta a chance de gravidez nos meses seguintes.

O que o exame responde

Duas perguntas da investigação básica, descritas em não consigo engravidar.

As tubas estão pérvias? O contraste percorre o útero, entra nas tubas e, quando elas estão livres, extravasa para a cavidade abdominal. Esse extravasamento é o achado que confirma a permeabilidade.

A cavidade uterina tem contorno normal? Falhas de enchimento sugerem pólipos, miomas submucosos ou aderências, e alterações do formato sugerem malformações uterinas.

Como é feito

Você se posiciona como em um exame ginecológico. O médico coloca um espéculo, limpa o colo do útero e introduz um cateter fino pelo canal cervical.

O contraste é injetado lentamente enquanto radiografias são feitas, acompanhando o trajeto do líquido pela cavidade e pelas tubas. O procedimento leva poucos minutos.

Não é necessário jejum nem sedação na maioria dos casos. Costuma-se orientar analgésico ou anti-inflamatório antes, e em algumas situações antibiótico profilático.

A janela do ciclo

O exame é feito depois do fim da menstruação e antes da ovulação, tipicamente entre o sexto e o décimo dia.

Duas razões. Realizar o exame antes da ovulação evita expor uma gravidez em curso à radiação e ao procedimento. E, nessa fase, o endométrio está fino, o que melhora a avaliação do contorno da cavidade.

Sair pedindo o exame por conta própria costuma resultar em agendamento fora dessa janela e em exame perdido.

Sobre a dor

Vale ser honesto: causa cólica, e a intensidade varia bastante entre pacientes.

O desconforto se concentra no momento em que o contraste passa e costuma ceder em minutos. Analgesia prévia conforme orientação ajuda muito, e vale combinar isso com a equipe em vez de encarar sem preparo.

Cólica leve e pequeno sangramento nas horas seguintes são esperados. Febre, dor intensa que não cede ou sangramento importante não são, e pedem contato com a equipe.

Programe-se para não sair direto para um compromisso exigente.

O que os achados significam

Tubas pérvias bilateralmente. A via está livre. Não garante que as tubas funcionem — a captação do óvulo e o transporte dependem de estruturas que o exame não avalia —, mas afasta a obstrução.

Obstrução unilateral. Pode ser real ou pode ser espasmo, uma contração da musculatura tubária que impede a passagem do contraste. Achados unilaterais e próximos ao útero merecem confirmação por outro método antes de qualquer conclusão.

Obstrução bilateral. Muda a estratégia de forma direta, e a conversa está em obstrução das trompas.

Dilatação da tuba com retenção de contraste. Sugere hidrossalpinge, achado que tem impacto próprio sobre a implantação e conduta específica antes de um tratamento, descrita em hidrossalpinge.

Falhas de enchimento na cavidade. Sugerem pólipo, mioma submucoso ou aderência, e costumam levar a histeroscopia para confirmação e tratamento.

O efeito que surpreende

Uma observação antiga da prática ganhou confirmação: mulheres tendem a engravidar mais nos meses seguintes ao exame.

Um ensaio randomizado publicado em 2017 comparou contraste oleoso e contraste à base de água em mulheres inférteis e encontrou taxas de gravidez maiores no grupo do contraste oleoso.

O mecanismo não está completamente esclarecido, e as hipóteses envolvem desde a desobstrução mecânica de material dentro da tuba até efeitos sobre o ambiente peritoneal.

Duas ressalvas honestas: o efeito é descrito sobretudo em casais com infertilidade sem causa aparente, e a escolha do contraste depende de disponibilidade e de contraindicações. Ainda assim, é um argumento a mais para não postergar o exame quando ele está indicado.

A alternativa sem radiação

A histerossonossalpingografia avalia a permeabilidade tubária por ultrassom, com um meio de contraste próprio, sem radiação ionizante.

É bem tolerada, dispensa o serviço de radiologia e permite avaliar simultaneamente ovários e miométrio. Depende de equipamento e de treinamento específico.

A escolha entre os métodos considera disponibilidade, experiência do serviço e o que se pretende avaliar. Nenhum dos dois substitui a histeroscopia quando o objetivo é olhar dentro da cavidade e tratar um achado.

Depois do exame

O resultado costuma sair no mesmo dia ou em poucos dias, e a conduta seguinte depende do conjunto da investigação, não só dele.

Se o exame estiver normal e você estiver em investigação por infertilidade sem causa aparente, vale saber deste texto: os meses seguintes ao exame são um período de chance aumentada, e isso pode entrar no planejamento com a equipe.

Perguntas frequentes

O exame dói?

Causa cólica, de intensidade variável, geralmente concentrada no momento em que o contraste passa. A maior parte das pacientes descreve como uma cólica menstrual forte e breve. Analgésico ou anti-inflamatório antes do exame, conforme orientação, reduz bastante o desconforto.

Em que dia do ciclo é feito?

Depois do fim da menstruação e antes da ovulação, tipicamente entre o sexto e o décimo dia do ciclo. A janela existe para evitar realizar o exame com uma gravidez em curso e para que o endométrio esteja fino, o que melhora a avaliação da cavidade.

Tuba obstruída no exame significa tuba obstruída de verdade?

Nem sempre. Uma contração da musculatura da tuba pode impedir a passagem do contraste e simular obstrução, sobretudo quando o achado é unilateral e próximo ao útero. Nesses casos, costuma-se confirmar por outro método antes de qualquer decisão.

É verdade que o exame ajuda a engravidar?

Há evidência nesse sentido. Ensaios que compararam contrastes mostraram aumento da chance de gravidez nos meses seguintes ao exame, com resultado mais favorável para os contrastes oleosos. O mecanismo não está completamente esclarecido, e o efeito é descrito principalmente em casais com infertilidade sem causa aparente.

Existe alternativa sem radiação?

Sim. A histerossonossalpingografia usa ultrassom com meio de contraste para avaliar a permeabilidade tubária, sem radiação. A escolha entre os métodos depende da disponibilidade, da experiência do serviço e do que se pretende avaliar.

Fontes

  • Dreyer K, van Rijswijk J, Mijatovic V, et al. Oil-based or water-based contrast for hysterosalpingography in infertile women. New England Journal of Medicine (2017)

  • ASRM Practice Committee — Diagnostic evaluation of the infertile female

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Neo Vita © 2026 - Todos os Direitos Reservados.

NVS Clínica de Medicina Avançada LTDA. CNPJ 27.595.526/0001-18

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