
FIV
PGT-M: quando a família carrega uma doença genética
PGT-M: quando a família carrega uma doença genética
PGT-M: quando a família carrega uma doença genética
Prof. Dr. Fernando Prado Ferreira
Prof. Dr. Fernando Prado Ferreira
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CRM-SP 103.984 · RQE 391631
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O PGT-M procura no embrião uma alteração específica em um único gene, já identificada na família. É indicado quando existe risco conhecido de transmitir uma doença monogênica. Exige preparo prévio do exame, com amostras de familiares, e leva semanas a meses antes do ciclo — por isso a conversa precisa começar cedo.
A diferença em relação ao PGT-A
O PGT-A conta cromossomos. É uma triagem: procura alterações de número sem saber de antemão o que vai encontrar.
O PGT-M procura uma coisa específica, já conhecida. Sabe-se qual gene, qual alteração e o que ela causa. É um teste dirigido.
Essa diferença explica por que as indicações são tão distintas. O PGT-A é discutível em muitas situações; o PGT-M, quando indicado, tem uma pergunta clara e uma resposta que muda decisões de forma direta.
Quem tem indicação
Doenças autossômicas recessivas, quando ambos os parceiros são portadores. Cada gestação tem risco de a criança ser afetada, e o teste identifica os embriões que herdaram as duas cópias alteradas.
Doenças autossômicas dominantes, quando um dos parceiros é afetado ou portador.
Doenças ligadas ao cromossomo X, com risco concentrado conforme o sexo da criança.
Casais que já tiveram um filho afetado e desejam evitar a recorrência.
Situações de risco identificadas na investigação de infertilidade, como alterações no gene CFTR encontradas na avaliação de azoospermia, ou a pré-mutação FMR1 identificada na investigação de insuficiência ovariana precoce.
O pré-requisito que costuma atrasar tudo
O teste procura uma alteração específica. Ela precisa estar identificada antes.
Isso significa que o casal precisa ter o diagnóstico molecular da condição: qual gene, qual variante. Quando ele ainda não existe, é o primeiro passo — e pode levar meses.
Depois disso, o laboratório de genética monta um exame desenhado para aquela família. Esse preparo frequentemente exige amostras do casal e de familiares afetados ou portadores, para identificar marcadores que permitam rastrear a alteração nos embriões.
O prazo total, do início da conversa até o exame estar pronto para uso, é de semanas a meses.
A consequência prática é direta: se você sabe que existe uma condição genética na família e pretende engravidar, comece essa conversa antes de começar o tratamento. Descobrir a necessidade do PGT-M com os embriões já congelados custa tempo, e às vezes custa um ciclo.
Como o ciclo funciona
O percurso é o de qualquer ciclo com teste genético, descrito em teste genético do embrião: fertilização por ICSI, cultivo até blastocisto, biópsia do trofectoderma, vitrificação de todos os embriões e transferência em ciclo posterior, depois do resultado.
O que muda é a análise, feita para a alteração específica, e a possibilidade de combinar PGT-M com PGT-A no mesmo material, quando indicado.
Os resultados possíveis para cada embrião: afetado, portador sem manifestação, ou não portador — a depender do padrão de herança da condição.
O aconselhamento genético
Não é etapa acessória, e não é a mesma conversa que a consulta de reprodução.
Ele estabelece o padrão de herança e o risco de recorrência, define a estratégia do teste, explica os resultados possíveis e suas implicações, discute as limitações técnicas e prepara a decisão sobre confirmação diagnóstica durante a gestação.
Envolve também a família, porque as amostras de parentes fazem parte do preparo e porque o achado tem implicações para outras pessoas além do casal — o que é uma conversa delicada e que merece condução profissional.
O que a norma permite
A Resolução CFM 2.320/2022 autoriza o teste genético do embrião com finalidade médica: identificar alterações que comprometam a viabilidade ou a saúde da criança.
Ela veda a seleção de características sem essa finalidade. A escolha de sexo é permitida apenas quando o objetivo é evitar doenças ligadas ao sexo, e não por preferência.
Também vale registrar que o teste não é obrigatório: um casal com risco conhecido pode optar por não testar, e essa escolha é legítima. O papel do aconselhamento é informar, não induzir.
Sobre as limitações
Nenhum teste é infalível. As técnicas atuais têm acurácia alta e existem limitações: amostras muito pequenas, falhas de amplificação, resultados inconclusivos e a possibilidade de recombinação afetando os marcadores usados.
Por isso a conversa sobre confirmação diagnóstica durante a gestação faz parte do aconselhamento desde o início, e não como surpresa depois.
E vale lembrar o que o PGT-M não cobre: ele procura uma alteração específica. Não avalia outras condições genéticas nem substitui o rastreamento pré-natal habitual.
Por onde começar
Se existe doença genética conhecida na sua família, ou se você e seu parceiro descobriram ser portadores de alguma condição, leve isso à primeira consulta — mesmo que a dificuldade para engravidar ainda não exista.
O ponto de entrada é a avaliação de fertilidade, somada ao aconselhamento genético. O tempo de preparo é o argumento mais forte para começar cedo.
Perguntas frequentes
Quem tem indicação de PGT-M?
Casais em que um ou ambos são portadores de uma alteração genética conhecida com risco de transmissão: doenças autossômicas recessivas quando ambos são portadores, doenças autossômicas dominantes quando um deles é afetado, e doenças ligadas ao cromossomo X. Também casais que já tiveram um filho afetado.
Preciso ter o diagnóstico genético antes?
Sim. O teste procura uma alteração específica, e ela precisa estar identificada. Sem o diagnóstico molecular na família, não há o que procurar no embrião. Esse é o primeiro passo, e frequentemente o mais demorado.
Quanto tempo leva o preparo?
Semanas a meses. O laboratório monta um exame específico para a alteração daquela família, e isso costuma exigir amostras do casal e de familiares afetados ou portadores. Começar essa conversa antes de iniciar o tratamento evita adiar o ciclo.
É possível escolher o sexo do bebê?
Somente quando o objetivo é evitar uma doença ligada ao sexo. A Resolução CFM 2.320/2022 veda a seleção de sexo ou de qualquer característica sem finalidade médica.
O teste é 100% seguro?
Nenhum teste é. As técnicas atuais têm acurácia alta, e existem limitações técnicas e a possibilidade de resultados inconclusivos. Por isso o aconselhamento genético inclui a discussão sobre confirmação diagnóstica durante a gestação.
Fontes
ESHRE — Good practice recommendations for preimplantation genetic testing
O PGT-M procura no embrião uma alteração específica em um único gene, já identificada na família. É indicado quando existe risco conhecido de transmitir uma doença monogênica. Exige preparo prévio do exame, com amostras de familiares, e leva semanas a meses antes do ciclo — por isso a conversa precisa começar cedo.
A diferença em relação ao PGT-A
O PGT-A conta cromossomos. É uma triagem: procura alterações de número sem saber de antemão o que vai encontrar.
O PGT-M procura uma coisa específica, já conhecida. Sabe-se qual gene, qual alteração e o que ela causa. É um teste dirigido.
Essa diferença explica por que as indicações são tão distintas. O PGT-A é discutível em muitas situações; o PGT-M, quando indicado, tem uma pergunta clara e uma resposta que muda decisões de forma direta.
Quem tem indicação
Doenças autossômicas recessivas, quando ambos os parceiros são portadores. Cada gestação tem risco de a criança ser afetada, e o teste identifica os embriões que herdaram as duas cópias alteradas.
Doenças autossômicas dominantes, quando um dos parceiros é afetado ou portador.
Doenças ligadas ao cromossomo X, com risco concentrado conforme o sexo da criança.
Casais que já tiveram um filho afetado e desejam evitar a recorrência.
Situações de risco identificadas na investigação de infertilidade, como alterações no gene CFTR encontradas na avaliação de azoospermia, ou a pré-mutação FMR1 identificada na investigação de insuficiência ovariana precoce.
O pré-requisito que costuma atrasar tudo
O teste procura uma alteração específica. Ela precisa estar identificada antes.
Isso significa que o casal precisa ter o diagnóstico molecular da condição: qual gene, qual variante. Quando ele ainda não existe, é o primeiro passo — e pode levar meses.
Depois disso, o laboratório de genética monta um exame desenhado para aquela família. Esse preparo frequentemente exige amostras do casal e de familiares afetados ou portadores, para identificar marcadores que permitam rastrear a alteração nos embriões.
O prazo total, do início da conversa até o exame estar pronto para uso, é de semanas a meses.
A consequência prática é direta: se você sabe que existe uma condição genética na família e pretende engravidar, comece essa conversa antes de começar o tratamento. Descobrir a necessidade do PGT-M com os embriões já congelados custa tempo, e às vezes custa um ciclo.
Como o ciclo funciona
O percurso é o de qualquer ciclo com teste genético, descrito em teste genético do embrião: fertilização por ICSI, cultivo até blastocisto, biópsia do trofectoderma, vitrificação de todos os embriões e transferência em ciclo posterior, depois do resultado.
O que muda é a análise, feita para a alteração específica, e a possibilidade de combinar PGT-M com PGT-A no mesmo material, quando indicado.
Os resultados possíveis para cada embrião: afetado, portador sem manifestação, ou não portador — a depender do padrão de herança da condição.
O aconselhamento genético
Não é etapa acessória, e não é a mesma conversa que a consulta de reprodução.
Ele estabelece o padrão de herança e o risco de recorrência, define a estratégia do teste, explica os resultados possíveis e suas implicações, discute as limitações técnicas e prepara a decisão sobre confirmação diagnóstica durante a gestação.
Envolve também a família, porque as amostras de parentes fazem parte do preparo e porque o achado tem implicações para outras pessoas além do casal — o que é uma conversa delicada e que merece condução profissional.
O que a norma permite
A Resolução CFM 2.320/2022 autoriza o teste genético do embrião com finalidade médica: identificar alterações que comprometam a viabilidade ou a saúde da criança.
Ela veda a seleção de características sem essa finalidade. A escolha de sexo é permitida apenas quando o objetivo é evitar doenças ligadas ao sexo, e não por preferência.
Também vale registrar que o teste não é obrigatório: um casal com risco conhecido pode optar por não testar, e essa escolha é legítima. O papel do aconselhamento é informar, não induzir.
Sobre as limitações
Nenhum teste é infalível. As técnicas atuais têm acurácia alta e existem limitações: amostras muito pequenas, falhas de amplificação, resultados inconclusivos e a possibilidade de recombinação afetando os marcadores usados.
Por isso a conversa sobre confirmação diagnóstica durante a gestação faz parte do aconselhamento desde o início, e não como surpresa depois.
E vale lembrar o que o PGT-M não cobre: ele procura uma alteração específica. Não avalia outras condições genéticas nem substitui o rastreamento pré-natal habitual.
Por onde começar
Se existe doença genética conhecida na sua família, ou se você e seu parceiro descobriram ser portadores de alguma condição, leve isso à primeira consulta — mesmo que a dificuldade para engravidar ainda não exista.
O ponto de entrada é a avaliação de fertilidade, somada ao aconselhamento genético. O tempo de preparo é o argumento mais forte para começar cedo.
Perguntas frequentes
Quem tem indicação de PGT-M?
Casais em que um ou ambos são portadores de uma alteração genética conhecida com risco de transmissão: doenças autossômicas recessivas quando ambos são portadores, doenças autossômicas dominantes quando um deles é afetado, e doenças ligadas ao cromossomo X. Também casais que já tiveram um filho afetado.
Preciso ter o diagnóstico genético antes?
Sim. O teste procura uma alteração específica, e ela precisa estar identificada. Sem o diagnóstico molecular na família, não há o que procurar no embrião. Esse é o primeiro passo, e frequentemente o mais demorado.
Quanto tempo leva o preparo?
Semanas a meses. O laboratório monta um exame específico para a alteração daquela família, e isso costuma exigir amostras do casal e de familiares afetados ou portadores. Começar essa conversa antes de iniciar o tratamento evita adiar o ciclo.
É possível escolher o sexo do bebê?
Somente quando o objetivo é evitar uma doença ligada ao sexo. A Resolução CFM 2.320/2022 veda a seleção de sexo ou de qualquer característica sem finalidade médica.
O teste é 100% seguro?
Nenhum teste é. As técnicas atuais têm acurácia alta, e existem limitações técnicas e a possibilidade de resultados inconclusivos. Por isso o aconselhamento genético inclui a discussão sobre confirmação diagnóstica durante a gestação.
Fontes
ESHRE — Good practice recommendations for preimplantation genetic testing
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NVS Clínica de Medicina Avançada LTDA. CNPJ 27.595.526/0001-18
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