FIV

Transferência de embriões: como é feita e o que decide

Transferência de embriões: como é feita e o que decide

Transferência de embriões: como é feita e o que decide

Prof. Dr. Fernando Prado Ferreira

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CRM-SP 103.984 · RQE 391631

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A transferência é feita com um cateter fino que atravessa o colo do útero, guiado por ultrassom, sem necessidade de anestesia na maior parte dos casos. Dura poucos minutos. A Resolução CFM 2.320/2022 permite até dois embriões em mulheres com até 37 anos e até três acima disso, mas a prática atual é transferir um, porque gestação múltipla é o principal risco evitável da FIV.

Como o procedimento é feito

Você chega com a bexiga cheia, o que serve para melhorar a imagem do ultrassom abdominal e retificar o ângulo do útero. É a parte mais desconfortável do dia, e tem função.

O médico posiciona um espéculo, limpa o colo uterino e passa um cateter fino, com o embrião no interior, até o ponto escolhido da cavidade uterina. O embriologista carrega o embrião no cateter momentos antes e o confere depois, para garantir que não ficou nada.

O ultrassom acompanha a passagem em tempo real. Depois da liberação, o cateter é retirado. Tudo dura poucos minutos.

Na maior parte das vezes não há necessidade de anestesia. Quando o colo é anatomicamente difícil, ou quando houve dificuldade em uma transferência anterior, a equipe pode optar por sedação leve.

Por que um embrião

A norma brasileira permite mais. A Resolução CFM 2.320/2022 estabelece o limite de dois embriões para mulheres com até 37 anos e de três acima dessa idade, com o limite de dois independentemente da idade quando o embrião foi testado e é euploide.

Limite legal, porém, é teto, não recomendação. Transferir dois embriões aumenta a chance de gravidez naquele ciclo, mas aumenta desproporcionalmente a chance de gestação gemelar — e gestação múltipla é a complicação mais frequente e mais grave da FIV, com risco aumentado de prematuridade, baixo peso, distúrbios hipertensivos e complicações neonatais.

O raciocínio que sustenta a transferência única é o da chance acumulada. Um ciclo que produziu três blastocistos oferece três oportunidades de transferência. Fazendo uma de cada vez, a chance somada ao longo delas é semelhante à de transferir dois de uma vez, sem o risco da gemelar. O que muda é o tempo, não o desfecho.

Há situações em que transferir dois é discutido, e elas envolvem prognóstico ruim, falhas anteriores e decisão compartilhada com o casal, com a conversa sobre o risco feita de forma explícita. O tema está em gestação múltipla na FIV.

O que se transfere, e quando

A maioria das transferências acontece no estágio de blastocisto, no quinto ou sexto dia, porque o cultivo até lá funciona como filtro de seleção. Em ciclos com poucos embriões, a transferência no terceiro dia pode ser preferida. A lógica está em desenvolvimento embrionário.

E há os ciclos em que nada é transferido naquele momento: todos os embriões são vitrificados e a transferência acontece depois, num ciclo preparado à parte. É a estratégia freeze-all, com indicações próprias, e a transferência subsequente segue o roteiro de transferência de embrião congelado.

O que influencia o resultado

A qualidade do embrião, que é o fator dominante e reflete sobretudo a idade da mulher na coleta dos óvulos.

A receptividade do endométrio, avaliada pela espessura e pelo padrão ao ultrassom, e comprometida por achados como pólipos, sinéquias, miomas com repercussão na cavidade ou endometrite crônica.

A técnica da transferência. Uma transferência difícil, traumática, com sangramento ou com necessidade de manipulação excessiva do colo, associa-se a pior resultado. É um dos motivos pelos quais serviços fazem transferência-teste em casos de anatomia complicada.

O suporte de progesterona, que sustenta o endométrio no período seguinte.

O que não influencia

Repouso depois do procedimento. Os estudos que compararam repouso ao leito com retorno imediato à atividade não mostraram benefício, e alguns encontraram resultado pior no grupo em repouso.

Posição para dormir. Alimentos específicos. Ficar deitada com as pernas para cima. Evitar subir escada.

O embrião não se desloca por gravidade. Ele está numa cavidade virtual, entre paredes que se tocam, e o que determina a implantação é biologia molecular, não postura. Essa conversa aparece com frequência e está detalhada em depois da transferência.

O que faz sentido evitar nos primeiros dias é esforço físico intenso, sobretudo quando os ovários ainda estão aumentados pelo estímulo recente.

Depois

Começa a espera de dez a doze dias até o beta-hCG, mantendo a progesterona conforme a prescrição. Sintomas nesse período — cólica, sensibilidade mamária, distensão — vêm da medicação e não distinguem gravidez de ausência dela.

Teste de farmácia antes da data combinada costuma gerar mais confusão do que informação, sobretudo quando o gatilho foi feito com hCG, que pode permanecer detectável por alguns dias.

Se o resultado for negativo e houver embriões congelados, a próxima tentativa é uma nova transferência, sem estimulação nem coleta. Se não houver, a conversa é sobre o que investigar antes de repetir, e está em quando a FIV não dá certo.

Perguntas frequentes

A transferência dói?

Na maioria das vezes não. A sensação é parecida com a de um exame ginecológico, com desconforto leve pela passagem do cateter e pela bexiga cheia. Em casos de colo uterino difícil, a equipe pode optar por sedação leve.

Preciso ficar de repouso depois?

Não. Os estudos que compararam repouso após a transferência com retorno imediato à atividade normal não mostraram benefício do repouso, e alguns sugerem o contrário. O embrião não cai nem se desloca por você se levantar, andar ou subir escada.

Por que a bexiga precisa estar cheia?

A bexiga cheia melhora a visualização do útero pelo ultrassom abdominal e retifica o ângulo entre colo e corpo uterino, o que facilita a passagem do cateter. É desconfortável e tem função.

Quantos embriões devo transferir?

A recomendação atual é transferir um, na maioria das situações. Transferir dois aumenta a chance de gravidez naquele ciclo, mas aumenta muito mais a chance de gestação gemelar, que é a complicação mais frequente e mais séria da FIV. Se houver embriões congelados, a chance acumulada ao longo das transferências é semelhante, sem o risco da múltipla.

O que acontece se o embrião não implantar?

Ele é reabsorvido, sem qualquer intervenção e sem sintoma específico. A menstruação vem no tempo esperado depois da suspensão da progesterona. Se houver embriões congelados, a próxima tentativa é uma transferência, não um ciclo completo.

Fontes

A transferência é feita com um cateter fino que atravessa o colo do útero, guiado por ultrassom, sem necessidade de anestesia na maior parte dos casos. Dura poucos minutos. A Resolução CFM 2.320/2022 permite até dois embriões em mulheres com até 37 anos e até três acima disso, mas a prática atual é transferir um, porque gestação múltipla é o principal risco evitável da FIV.

Como o procedimento é feito

Você chega com a bexiga cheia, o que serve para melhorar a imagem do ultrassom abdominal e retificar o ângulo do útero. É a parte mais desconfortável do dia, e tem função.

O médico posiciona um espéculo, limpa o colo uterino e passa um cateter fino, com o embrião no interior, até o ponto escolhido da cavidade uterina. O embriologista carrega o embrião no cateter momentos antes e o confere depois, para garantir que não ficou nada.

O ultrassom acompanha a passagem em tempo real. Depois da liberação, o cateter é retirado. Tudo dura poucos minutos.

Na maior parte das vezes não há necessidade de anestesia. Quando o colo é anatomicamente difícil, ou quando houve dificuldade em uma transferência anterior, a equipe pode optar por sedação leve.

Por que um embrião

A norma brasileira permite mais. A Resolução CFM 2.320/2022 estabelece o limite de dois embriões para mulheres com até 37 anos e de três acima dessa idade, com o limite de dois independentemente da idade quando o embrião foi testado e é euploide.

Limite legal, porém, é teto, não recomendação. Transferir dois embriões aumenta a chance de gravidez naquele ciclo, mas aumenta desproporcionalmente a chance de gestação gemelar — e gestação múltipla é a complicação mais frequente e mais grave da FIV, com risco aumentado de prematuridade, baixo peso, distúrbios hipertensivos e complicações neonatais.

O raciocínio que sustenta a transferência única é o da chance acumulada. Um ciclo que produziu três blastocistos oferece três oportunidades de transferência. Fazendo uma de cada vez, a chance somada ao longo delas é semelhante à de transferir dois de uma vez, sem o risco da gemelar. O que muda é o tempo, não o desfecho.

Há situações em que transferir dois é discutido, e elas envolvem prognóstico ruim, falhas anteriores e decisão compartilhada com o casal, com a conversa sobre o risco feita de forma explícita. O tema está em gestação múltipla na FIV.

O que se transfere, e quando

A maioria das transferências acontece no estágio de blastocisto, no quinto ou sexto dia, porque o cultivo até lá funciona como filtro de seleção. Em ciclos com poucos embriões, a transferência no terceiro dia pode ser preferida. A lógica está em desenvolvimento embrionário.

E há os ciclos em que nada é transferido naquele momento: todos os embriões são vitrificados e a transferência acontece depois, num ciclo preparado à parte. É a estratégia freeze-all, com indicações próprias, e a transferência subsequente segue o roteiro de transferência de embrião congelado.

O que influencia o resultado

A qualidade do embrião, que é o fator dominante e reflete sobretudo a idade da mulher na coleta dos óvulos.

A receptividade do endométrio, avaliada pela espessura e pelo padrão ao ultrassom, e comprometida por achados como pólipos, sinéquias, miomas com repercussão na cavidade ou endometrite crônica.

A técnica da transferência. Uma transferência difícil, traumática, com sangramento ou com necessidade de manipulação excessiva do colo, associa-se a pior resultado. É um dos motivos pelos quais serviços fazem transferência-teste em casos de anatomia complicada.

O suporte de progesterona, que sustenta o endométrio no período seguinte.

O que não influencia

Repouso depois do procedimento. Os estudos que compararam repouso ao leito com retorno imediato à atividade não mostraram benefício, e alguns encontraram resultado pior no grupo em repouso.

Posição para dormir. Alimentos específicos. Ficar deitada com as pernas para cima. Evitar subir escada.

O embrião não se desloca por gravidade. Ele está numa cavidade virtual, entre paredes que se tocam, e o que determina a implantação é biologia molecular, não postura. Essa conversa aparece com frequência e está detalhada em depois da transferência.

O que faz sentido evitar nos primeiros dias é esforço físico intenso, sobretudo quando os ovários ainda estão aumentados pelo estímulo recente.

Depois

Começa a espera de dez a doze dias até o beta-hCG, mantendo a progesterona conforme a prescrição. Sintomas nesse período — cólica, sensibilidade mamária, distensão — vêm da medicação e não distinguem gravidez de ausência dela.

Teste de farmácia antes da data combinada costuma gerar mais confusão do que informação, sobretudo quando o gatilho foi feito com hCG, que pode permanecer detectável por alguns dias.

Se o resultado for negativo e houver embriões congelados, a próxima tentativa é uma nova transferência, sem estimulação nem coleta. Se não houver, a conversa é sobre o que investigar antes de repetir, e está em quando a FIV não dá certo.

Perguntas frequentes

A transferência dói?

Na maioria das vezes não. A sensação é parecida com a de um exame ginecológico, com desconforto leve pela passagem do cateter e pela bexiga cheia. Em casos de colo uterino difícil, a equipe pode optar por sedação leve.

Preciso ficar de repouso depois?

Não. Os estudos que compararam repouso após a transferência com retorno imediato à atividade normal não mostraram benefício do repouso, e alguns sugerem o contrário. O embrião não cai nem se desloca por você se levantar, andar ou subir escada.

Por que a bexiga precisa estar cheia?

A bexiga cheia melhora a visualização do útero pelo ultrassom abdominal e retifica o ângulo entre colo e corpo uterino, o que facilita a passagem do cateter. É desconfortável e tem função.

Quantos embriões devo transferir?

A recomendação atual é transferir um, na maioria das situações. Transferir dois aumenta a chance de gravidez naquele ciclo, mas aumenta muito mais a chance de gestação gemelar, que é a complicação mais frequente e mais séria da FIV. Se houver embriões congelados, a chance acumulada ao longo das transferências é semelhante, sem o risco da múltipla.

O que acontece se o embrião não implantar?

Ele é reabsorvido, sem qualquer intervenção e sem sintoma específico. A menstruação vem no tempo esperado depois da suspensão da progesterona. Se houver embriões congelados, a próxima tentativa é uma transferência, não um ciclo completo.

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NVS Clínica de Medicina Avançada LTDA. CNPJ 27.595.526/0001-18

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